Vibrou meu celular e eu achei que pudesse ser você.
E não sei dizer exatamente quando começou.
Talvez tenha sido aos poucos,
entre uma conversa qualquer e outra,
quando percebi que gostava de te ouvir
mesmo quando falávamos sobre as coisas mais banais.
Gosto da tua curiosidade,
do seu interesse em assuntos mais improváveis,
da maneira como teus olhos parecem se iluminar
quando fala sobre aquilo que sabe.
Gosto da riqueza dos teus detalhes,
da tua vontade de explicar o mundo
como se cada pequena descoberta merecesse ser compartilhada.
E gosto de como você consegue ser tão sério
e, no instante seguinte, transformar tudo em piada.
Adoro teu senso de humor
e essa risada satisfeita que surge
quando percebe que caí em mais uma das tuas brincadeiras.
Há qualquer coisa de perigosamente encantador
em alguém que consegue me fazer rir tão sinceramente.
Admiro tua obstinação,
a maneira como se entrega por inteiro
àquilo que deseja realizar.
Gosto das nossas conversas sobre documentários,
sobre o que aprendemos ao longo da vida,
sobre assuntos que nos fazem descobrir
que ainda sabemos tão pouco sobre o mundo.
Gosto de te ouvir falar
porque, de alguma forma,
enquanto você me conta tudo o que sabe,
também me mostra quem você é.
E eu me acostumei com a tua presença nos meus dias.
Com as nossas conversas,
com as bobagens que compartilhamos,
com os assuntos que começam de um jeito
e terminam em qualquer lugar.
Às vezes, eu só quero te contar alguma coisa.
Ou saber o que você pensa sobre determinado assunto.
Ou ouvir mais uma das tuas explicações intermináveis
sobre alguma coisa que eu nem sabia
que tinha tanto para ser explicado.
Você tem esse jeito de refrescar o meu dia,
de quebrar a monotonia,
de aparecer com algum comentário inesperado
e me fazer sair um pouco do automático.
penso em como talvez você soubesse resolver.
Algumas conversas não resolvem os nossos problemas,
não mudam o rumo de um dia difícil,
mas tornam tudo um pouco mais leve.
E você me lembra que são os contrastes que nos mostram
aquilo que nos faz bem.
E eu preciso dizer que te respeito.
Respeito teu espaço.
Sei qual é o meu.
Nunca quis ser invasiva,
nem fazer da minha presença um incômodo.
Se em algum momento ultrapassei algum limite,
se me aproximei mais do que deveria,
peço desculpas.
Às vezes não percebemos
quando alguém começa a ocupar um lugar especial
na simplicidade dos nossos dias.
E confesso que há em mim uma pequena inquietação:
o receio de perder essa presença cotidiana
à qual, sem perceber, me acostumei.
Talvez seja um sentimento um pouco egoísta,
essa vontade silenciosa de conservar
aquilo que torna meus dias mais agradáveis.
Mas seria desonesto fingir
que a possibilidade da ausência não me entristece.
E se tudo o que penso precisar permanecer
apenas no meu mundo das ideias, tudo bem.
Entendo que nem toda beleza precisa ser nossa
para que possamos apreciá-la.
E eu gosto de te observar,
E quanto mais te conheço,
mais te admiro.
E entre tantas coisas extraordinárias
que poderíamos desejar da vida,
às vezes me basta a simplicidade
de encontrar uma mensagem tua no meu dia,
uma piada na qual provavelmente cairei
e aquela risada que até já consigo ouvir.
Por enquanto,
é bonito poder te conhecer.
alguma curiosidade improvável,
uma explicação longa demais
ou mais um gole de uma limonada qualquer,
já haverá algo de bom no meu dia.
Talvez eu tenha aprendido, enfim,
um pouco mais sobre aquilo que você me disse
que, mesmo em meio aos dias difíceis,
é importante reconhecer aquilo que nos faz bem.
E você, sem sequer,
tem sido uma dessas coisas.